Friday, October 5, 2007

Actuação do Rancho Folclórico na Brandoa (Amadora)

Uma tarde de folclore foi o que podemos assistir no dia 23 de Setembro de 2007, na Brandoa - Jardim Luís de Camões.

Uma festa organizada pelo Rancho Folclorico Dançar é Viver, com a participação dos seguintes ranchos:

Rancho Folclorico da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez
Rancho Folclorico da Casa do Concelho de Ponte de Lima
Rancho Folclorico da Casa do Minho
Rancho Folclorico Dançar é Viver


 

Apesar das condições não terem sido as melhores, falo em relação ao palco, porque como sabemos não estava no melhor estado para que se pudessem assistir a actuações de ainda maior qualidade!
O atraso que o Festival sofreu também foi lamentado por várias pessoas, que ainda antes de começarem as actuações já tinham abandonado o recindo do Parque Luís de Camões.

Mas no fim, todos os Ranchos fizeram a sua apresentação, correu da melhor maneira possível a cada um.

Falando do nosso Rancho, e como se pode constatar sempre, fazemos belissímas actuações, cheias de garra, vivacidade e alegria. Conseguimos ainda atrair a atenção das diversas pessoas que ansiosamente esperavam pelo inicio do Festival! Fomos bastantes aplaudidos, mostrando assim a amizade que sentem por nós.
Apesar de a nossa apresentação não ter acabado com todos os elementos em palco, visto que infelizmente um dançador nosso sentiu-se mal acabando por ir parar ao hospital, mostamos até ao fim o melhor que sabemos fazer e o orgulho no nome da Casa que representamos!

Felizmente, o que aconteceu ao nosso colega foi só um susto! E já está recuperado.

Posted by Rita Cerqueira at 15:42:50 | Permalink | No Comments »

folclore e FOLCLORE

Sendo hoje em dia um assunto tão discutido, e após ter lido um artigo no jornal Noticias dos Arcos de 23 de Agosto de 2007, achei que seria muito interessante se todos pudessem ler o mesmo que eu li. Este artigo foi dividido em duas partes, pois é feito com bastante reflexão por A. Luís Fernandes.

Sendo esta forma de cultura popular a que mais me tem apaixonado no decorrer dos tempos, muito embora por motivos profissionais não lhe tenha dedicado todo o tempo que devia e que esta merece. Gostava, de poder sensibilizar todos os folcloristas deste concelho, para uma discussão profunda, sobre a forma como estamos a representar os usos e costumes do nosso povo, no seio dos ranchos folclóricos.

Talvez começando por falar as coisas que me agradam, porque não seria bem interpretado, por parte de muita gente, começar a falar-vos, logo nas primeiras linhas, daquilo que eu penso estar deturpado, na forma como é representada a nossa cultura tradicional, de uma forma geral e em particular o folclore representativo de Arcos de Valdevez.

A primeira é que estou muito feliz, por ver um número bastante elevado de jovens que aderiram massivamente a esta forma de cultura, bem como a outras, de igual importância para o nosso concelho… tais como às bandas filarmónicas, aos grupos de teatro e todos as associações de caris cultural existentes em Arcos de Valdevez. Isso agrada-me particularmente, pois, serão estes jovens que hoje aprendem, que amanhã estarão disponíveis para ensinar as novas gerações, a quem transmitirão, tudo o que aprenderam sobre etnografia, folclore e todas as outras formas de cultura; em suma deixarão as suas vivências na recolha dos usos e costumes do nosso povo. E agrada-me sinceramente, por ter a certeza de que a cultura tradicional não será esquecida nos tempos futuros.

Mas esta a minha alegria quanto à quantidade não poder ser, nem é a mesma relativamente à qualidade representativa do nosso folclore, aquele que tentamos levar por todo este País à beira mar plantado e mesmo ao estrangeiro por parte da maioria dos nossos ranchos folclóricos.

No folclore Arcuense existem 14 agrupações folclóricas, o que para mim significa que ao nível de quantidade estamos muito bem classificados. Poucos concelhos em todo o país, se poderão congratular com tal sucesso, basta fazer as contas por alto para perceber que cerca de mais ou menos 1000 arcuenses frequentam os nossos ranchos folclóricos; quer isto dizer que temos quase 5% da nossa população nesta forma de representar as nossas raízes e costumes.

Da minha parte gostava que a esta quantidade existente, se lhe agregasse a qualidade necessária para que a representatividade fosse genuína. Mas verifico que há um trabalho de pesquisa e recolha profundo a fazer para que isso aconteça, começando pela preparação de muitos dos dirigentes e técnicos do nosso folclore, no que diz respeito aos conhecimentos dos verdadeiros usos e costumes dos nossos antepassados de quem dizemos ser dignos representantes.

Segundo a pequena análise que fiz, essa representação parece-me estar muito adulterada e que me perdoem a minha ousadia, pois se digo que há coisas que estão mal, também sei que muitos desses defeitos já vem de traz, que foram autorizados por alguns dos presidentes e ensaiadores que pelos ranchos mais antigos passaram em tempos.

Hoje em dia existe maior consciência por parte dos dirigentes do nosso folclore, que há muito que fazer, sendo por esse motivo que aqui estou a tentar que mais gente se junta a esta ideia de fazer um estudo profundo dos nossos usos e costumes para dignificar as nossas apresentações por esse mundo fora. Penso não ser muito difícil desde que exista a humildade inteligente para essa mudança tão necessária para o folclore do concelho de Arcos de Valdevez, como o pão para a boca do ser humano.

Vou agora falar de alguns pormenores, dando exemplos dos mesmos que quanto a mim estão deturpados, na representação do nosso folclore.
Os trajes usados pelos figurantes de muitos dos nossos ranchos estão longe da representação autêntica, apresentam-se com trajes ricos ou mesmo muito ricos a que chamam domingueiros, de festa, de romaria e até mesmo os de trabalho, com enormes discrepâncias em relação ao que deve ser a autenticidade genuína desses trajes antigos do nosso concelho.

Se não vejamos; os trajes mais representativos do nosso concelho segundo a minha forma de pensar são com certeza o traje de trabalho ou seja aquele que o nosso povo usava mais nas mais várias formas do trabalho agrícola daquela época e com ele dançavam na eira depois dos trabalhos terminados. Esses trajes quase desapareceram por completo da forma de trajar dos dançadores nos ranchos folclóricos; - talvez devido a um desconhecimento, distracção dos directores técnicos ou ainda por falta de carácter para convencer sobre tudo os elementos femininos a vestir o dito traje de trabalho, pois também me chegou aos ouvidos por diversas vezes “ai eu não visto isso” ou “se me derem esse traje eu saio do rancho”, sendo por tal motivo muito difícil aos responsáveis dos ranchos tentar manter a verdadeira tradição dos usos e costumes dos nossos antepassados.

Tenho por isso, receio que os futuros directores de ranchos arcuenses digam que a verdadeira tradição das gentes do seu concelho, será aquela que estarão a apresentar daqui a alguns anos, só porque fizeram confiança aos representantes dos dias de hoje.

A maioria do nosso povo há 130/140 anos atrás era bastante pobre, sendo por isso ilógico o uso de trajes muito ricos, com todo esse ouro que para o tornar ainda mais abundante, o penduram ao peito com alfinetes, dando-lhe ainda mais voltas, para parecer maior quantidade.

Outro pormenor que creio estar errado, é o padrão de igualdade, que se que impor a todos os trajes, incluindo o domingueiro ou de festa. Como antigamente eram as próprias que os envergavam que os faziam, estes teriam obrigatoriamente características únicas em casa desses belíssimos trajes.

Quanto a mim existem muitas deturpações nos nossos trajes e acessórios, tais como a colocação de elásticos nas chinelas, utilização de chinelas com traje de trabalho em vez de socos, as saias demasiados curtas, mulheres sem lenço na cabeça, homens com relógio e pulseiras no pulso, faixa descaída bastante por baixo do joelho, chapéus com elástico no pescoço etc., etc., ….etc.

Esta segunda parte saíu no jornal Notícias dos Arcos, do dia 6 de Setembro de 2007.

Este artigo, ajuda-mos a reflectir sobre o folclore que deveriamos representar!
Vamos apreciá-lo, e pensar sobre ele.

Se queremos representar o nosso folclore com dignidade, deveríamos começar por ser mais humildes quanto ao pensar que sabemos tudo e que tudo aquilo que sabemos é o verdadeiro, mas pode não ser, e esse erro vamos transmiti-lo às futuras gerações.

Eu tenho andado por esse pais fora para ver como se apresentam os diferentes grupos folclóricos de outras regiões, para quem muitas vezes nós temos alguns argumentos desprestigiantes para com a sua forma de estar no folclore, e que para mim, pela sua simplicidade e autenticidade se tornam mais autênticos.

É verdade que os ranchos folclóricos do concelho, dizem ser muitos aplaudidos por todos o país, o que eu próprio tenho constatado, mas esses aplausos, creio terem mais a ver com a velocidade as nossas danças, comparadas com a maneira calma de dançar muitas vezes pela ignorância sobre autenticidade do nosso folclore.

Dos muitos pormenores ao nível dos trajes, haveria muito mais a dizer mas ficarei por algusn dos mais visíveis e que mais me sensiblizaram pela realidade intransigente do seu uso. Por exemplo a forma de colocar o ouro de imitação no peito das raparigas dobrado em várias partes e colocados com alfinetes para que o traje pareça muito rico, mas tudo isso é completamente errado pois os nossos antepassados em primeiro lugar não quereriam parecer aquilo que não eram, depois não é a imitação de muita riqueza que torna o traje mais autentico e mais ainda todas as discrições em literatura que eu consultei, afirmam que a mulher minhota trazia ao pescoço a cair pelo peito todos o ouro que possuía em dias de festa.
Outro pormenor sobre o ouro tem a ver com os trajes de trabalho onde não deve ser colocado nenhuma peça de ouro ou então um simples cordão com um crucifixo da mulher minhota. Eu pessoalmente não creio que na lida dos trabalhos agrícolas a mulher tivesse a tentação de colocar muito ouro no pescoço mesmo que o tivesse.

Quanto ao traje do homem tembém existem alguns pormenores que me merecem algum reparo muito embora pouco literatura exista sobre o traje masculino, creio que devemos analisar com mais cuidado a forma de trajar do homem nos dias de hoje. Por exemplo a faixa que eu penso ter sido um acessório de protecção do homem contra a possibilidade de ganhar uma hérnia, com os esforçoes que fazia nos duros trabalhos do campo. Eu não vejo a necessidade de colocar estar por baixo do joelho, pelo contrário deve ser colocada por cima do mesmo ou sem ficar a cair pela perna abaixo.

Por outro lado quanto ao calçado masculino se o branco significava pureza e a mulher usa esta cor para mostrar essa mesma pureza, isto só poderá querer dizer que se a mulher era pura nessas épocas até uma idade bastante avançada da sua juventude, muito dificilmente o homem não o seria também, por isso eu penso que o homem deve usar meias brancas ou pretas de algodão, e não meias com todos o tipo de desenhos e estampados, assim como sapatos ou botas de corte não muito moderno que descaracteriza completamente o traje de domingueiro de época que queremos representar.

Em suma, gostaria de ver por parte dos dirigentes uma certa exigência para com os elementos do seu rancho na forma de trajar e principalmente no que diz respeito ao traje masculino dos seguinte pormenores:
- Nada de relógios no pulso nem pulseiras de ouro só um anel pode ser usado.
- Chapéu deve ser um modelo desta região.
- Meias brancas ou pretas de algodão com o traje de domingueiro.
- Sapatos ou botas pretas de corte pouco moderno.
- Faixa preta ou vermelha mas sempre acima do joelho ou somente em volta da cinta.
- Camisa de linho.

Sendo o “traje” o vestuário popular ou a forma de vestir de um povo numa determinada época e sendo essa mesma que queremos representar devemos respeitar o melhor possível e não tentar modificar sem o conhecimento necessário para tal alteração mesmo que nos pareça que ficaria melhor no nosso rancho e que causaria mesmo sucesso tal inovação. Mas quem somos nós para alterar as coisas que queremos preservar o mais genuinamente possível.

Os nossos trajes actuais começaram a nascer em meados do século XIX, tendo a sua transformação terminado nos fins do mesmo século e princípio do século XX ou seja os trajes que representamos hoje vem dos anos 1870 a 1910/1920.

Agora para terminar esta primeira abordagem sobre folclore, gostaria de dizer a todos os folcloristas deste concelho que estarei receptivo para analisar todas as ideias, para uma discussão profunda sobre etnografia e folclore e mesmo para a possibilidade de concretizar a formação de uma associação do folclore Arcuense, no seio da qual seria essa discussão teria todo o sentido.

Posted by Rita Cerqueira at 15:27:59 | Permalink | Comments (1) »