Thursday, February 26, 2009

Lisboa capital da Concertina - 4º Encontro na Casa dos Arcos

Por Rita Cerqueira

Há uns anos atrás a Casa do Concelho de Arcos de Valdevez apostou num novo projecto, procurou relembrar e homenagear a concertina, instrumento este bem antigo e que recentemente passou a ter um grande reconhecimento nacional e internacional. A concertina é hoje, o que nunca passou, talvez, pela cabeça dos grandes mestres que pudesse vir a ser, é sem duvida objecto de recolha intensiva e é explorada até ao limite. Cada vez mais deixou de ser um instrumento tocado apenas pelas pessoas mais velhas e deixou também de ser, na sua maioria, exclusivamente masculino, hoje é tocada por rapazes e raparigas jovens e até crianças.

Tudo isto faz dela, actualmente, um dos instrumentos mais tocados, procurados e divulgados nas comunidades de emigrantes.

Os viras, as canas-verdes, as chulas e os fandangos foram sempre possíveis ser tocados neste instrumento que se assemelha a um acordeão, muitas vezes interpretado como tal, mas agora na concertina tocam-se musicas completamente diferentes do registo a que sempre fomos habituados, tocam-se modas espanholas, francesas e até italianas, ouve-se também no abrir e fechar do fole o hino nacional, um fado tão característico da cidade de Lisboa ou então modas que ouvimos nos tão ansiados bailes de verão das nossas aldeias.

A Internet aproximou muitos tocadores espalhados por este mundo fora, deu oportunidade ao tocador mais tímido de mostrar aquilo que sabe fazer. Ao aceder ao portal mais conhecido de publicação e pesquisa de vídeos e musicas da Internet (www.youtube.com) e ao pesquisarmos através da palavra “concertina” são-nos apresentados cerca de 5 mil vídeos, 72 canais e ainda aproximadamente 2500 listas de reprodução, no entanto, cada lista de reprodução tem em média colocados à disposição dos cibernautas acima de meia centena de vídeos onde o som da concertina impera. Há ainda que ter em conta que existem muitos mais milhares de vídeos ligados a este instrumento mas cujas palavras de pesquisa centram-se em nomes de ranchos ou no nome das músicas.

Em suma, vídeos de concertina estão disponíveis na Internet aos milhões, atrevo-me até a dizer aos biliões. Com isto, basta um simples clic e somos transportados para as grandes romarias do nosso Minho ou para o maior festival folclórico seja ele realizado em qualquer parte do planeta.

 

Desde o primeiro encontro de concertinas realizado pela Casa dos Arcos passaram alguns anos, o sucesso foi grande mas no ano seguinte não houve ocasião para se repetir a proeza.

Há dois anos a nossa Casa relançou este encontro onde se juntaram tocadores de um pouco por todo o Minho, encontro este que foi incentivado e muito pelo mestre do nosso rancho, Sr. Diamantino Gachineiro. A edição de 2007 à imagem da de 2008 foram um autêntico sucesso, o salão nobre da nossa Casa esteve lotado e ficou no ar a esperança que no ano vindouro se realizaria novamente.

 

A 25 de Janeiro de
2009, a Casa do Concelho de Arcos de Valdevez abriu novamente portas para ver chegar grandes mestres na arte de tocar concertina. À hora marcada já a sala estava repleta de arcuenses, amigos ou simplesmente curiosos que ao verem a autêntica romaria em direcção à nossa Casa também quiseram espreitar e ver o que se passava. Estas pessoas esperavam ansiosamente para ouvir o belíssimo e típico som da concertina que faz a delícia de qualquer minhoto nos quatro cantos do mundo.

Com o decorrer do encontro foram-se apreciando melodias tocadas, talvez, pelos melhores tocadores do nosso país, nomeadamente o arcuense e amigo José Gomes, filho de Manuel Gomes que também ele já esteve presente na nossa festa. Este foi o segundo ano consecutivo que este amigo nos visita para participar neste encontro, e transcrevendo as suas palavras na fala que antecedeu a sua actuação “fazer 400 mais 400 quilómetros para estar presente nesta festa não custa porque tudo é feito pela paixão à concertina e pela oportunidade de rever grandes amigos”. Tal como o ano passado voltou acompanhado dos seus filhos que seguem exactamente a mesma paixão que o pai. Ouvir este mestre que veio propositadamente de Arcos de Valdevez foi sem duvida um encanto, já tinha-mos conhecido o seu tocar no entanto voltar a ouvi-lo foi qualquer coisa sem explicação, quase que se tem a sensação de choro da concertina e são poucos os que a conhecem como ele.

Os tocadores do nosso rancho, Sr. Diamantino, Filipe e Daniel, também conseguiram uma excelente presença tirando sempre o máximo partido do que a concertina pode dar.

Este ano, tivemos a honra de receber na nossa sede social para participarem neste encontro os tocadores e respectivos corpos directivos da Casa do Minho e das Casas Concelhias de Valença, Paredes de Coura, Ponte de Lima e Arganil. Esta presença vem provar mais uma vez o bom relacionamento que a Casa do Concelho de Arcos de Valdevez tem com as outras instituições sedeadas na capital.

Os outros amigos presentes deram mostras de ser ou vir a ser grandes tocadores, dando provas de que quando se gosta colocamo-nos ao dispor de qualquer coisa em nome dessa paixão, que o diga uma tocadora que veio de propósito da Lousã para participar neste encontro “Fiz esta viagem com muita vontade… Todos os encontros têm animação, mas há aqueles que são mais importantes e este foi sem dúvida um deles, pois não é todos os dias que temos oportunidade para tocar com amigos e ver grandes tocadores mostrarem o que sabem”.

Este encontro foi também a altura escolhida pelos mais novinhos na arte de tocar concertina para se estrearem descrevendo, depois, o momento de forma muito emotiva. Ao ter oportunidade de falar com um destes tocadores ele dizia “A maneira como me iniciei na concertina há 5 meses e hoje estar nesta casa fez-me ficar orgulhoso de mim próprio. Sei que tenho um longo caminho a percorrer e que isto foi o primeiro passo na minha formação como tocador”, e ao ser questionado sobre o que sentiu por ter estado a tocar ao lado de nomes tão conhecidos, ele respondeu “É um incentivo para alcançar tais patamares e talvez, porque não, ultrapassá-los. Foi uma grande honra tocar com grandes nomes da concertina e conseguir acompanhá-los em tão pouco tempo de aprendizagem deu-me ainda mais força para continuar”. Foram apenas dois testemunhos dos cerca de meia centena de tocadores presentes na Casa dos Arcos.

Depois de muitas tocatas, houve também espaço para dançar e cantar sempre ao som deste instrumento. A Casa dos Arcos, no final, ofereceu a todos os presentes um verde honra de Aguiã acompanhado de um petisco confeccionado por algumas senhoras da nossa Casa. A esta altura também se puderam ouvir comentários sobre a tarde que passara, havia quem dissesse que foi dos encontros mais bonitos que tinham assistido, pois sentia-se que aqueles tocadores amam o que fazem e que a medalha que ganharam no final da respectiva prestação não alterava em nada essa paixão e havia quem a descreve-se como “inesquecível, cheia de alegria, animação, amizade, paixão”.

No coração da maioria das pessoas ficou a esperança de no próximo ano estarem presentes novamente na Casa do Concelho de Arcos de Valdevez com a mesma magia a que já fomos habituados.

Esta comemoração terminou já a noite ia longa com uma roda, bem à moda dos Arcos, que envolveu quase todos os presentes.

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Wednesday, February 11, 2009

Blog desactualizado

O blog da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez manteve-se durante algum tempo inactivo e desactualizado pelo facto da administração ter tido um acesso muito limitado e complicado ao site para efectuar as actualizações. No entanto esta situação já está normalizada e assim o movimento ao blog da Casa dos Arcos vai voltar, até porque actividades não nos faltaram.
Vamos voltar a divulgar as actividades da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez bem como as novidades da nossa terra.

Obrigado pela compreensão

A Administração

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Monday, February 25, 2008

3º Encontro de Concertinas

Há uns anos atrás a Casa do Concelho de Arcos de Valdevez apostou num novo projecto, procurou relembrar e homenagear a concertina, instrumento este bem antigo e que recentemente passou a ter um novo reconhecimento nacional e internacional. A concertina é hoje, o que nunca passou, talvez, pela cabeça dos grandes mestres que pudesse vir a ser, é sem dúvida objecto de recolha intensiva e é explorada até ao limite. Cada vez mais deixou de ser um instrumento tocado apenas por as pessoas mais velhas, deixou também de ser na sua maioria exclusivamente masculino, hoje é tocada por rapazes e raparigas jovens e até crianças.
Tudo isto faz dela, actualmente um dos instrumentos mais tocados, procurados e divulgados nas comunidades portuguesas de emigrantes.
Os viras, as canas-verdes, as chulas e os fandangos foram sempre possíveis neste instrumento, que se assemelha a um acordeão muitas vezes interpretado como tal, agora na concertina até se tocam modas ditas pimbas ou populares conhecidas de todos.

 

Desde o primeiro encontro de concertinas realizado pela nossa Casa passaram alguns anos, o sucesso foi grande mas no ano seguinte não houve ocasião para se repetir a proeza.
O ano passado a Casa dos Arcos relançou este encontro onde se juntaram tocadores de um pouco por todo o Minho, encontro este incentivado pelo mestre da nossa Casa, Sr. Diamantino Gachineiro. A edição de 2007 foi um autêntico sucesso, a nossa casa esteve lotada e ficou no ar a esperança de no ano seguinte se concretizar novamente.

 

A 27 de Janeiro de 2008, a Casa do Concelho de Arcos de Valdevez abriu novamente portas para ver chegar grandes mestres tocadores de concertina. Há hora marcada já a sala esteva repleta de Arcuenses e amigos que esperavam ansiosamente ouvir o belíssimo e típico som da concertina, que faz a delícia de qualquer minhoto nos quatro cantos do Mundo.
Com o decorrer deste encontro foram-se apreciando melodias tocadas talvez pelos melhores tocadores do nosso País, nomeadamente o Arcuense e amigo da casa José Gomes, filho de Manuel Gomes que também ele o ano passado marcou presença no nosso salão.
Ouvir este mestre, que veio directamente dos Arcos, foi sem dúvida um encanto, dado que até parece que faz a concertina chorar, brinca com ela e conhecê-la como a si mesmo. Contudo o nosso amigo tinha preparado uma surpresa para todos nós, consigo trouxe também os seus filhos onde se aplica o velho ditado que diz “Filho de peixe sabe nadar”, estas crianças de 8 e 5 anos são um futuro bastante promissor, na continuação da divulgação do toque da concertina.
Os tocadores do nosso Rancho, Sr. Diamantino, o Filipe e o Daniel, também conseguiram excelente presença tirando o máximo que a concertina pode dar.
Os outros amigos presentes deram mostras de ser ou vir a ser grandes tocadores. Para todos houve lembranças e medalhas.

No final da apresentação, a Casa dos Arcos ofereceu aos presentes um verde honra de Aguiã para comemorar, acompanhado do petisco, confeccionado na altura por algumas das senhoras, da nossa Casa, que nestas alturas estão sempre presentes. A todas elas, a Casa do Concelho de Arcos de Valdevez agradece a colaboração.

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Sunday, November 4, 2007

Magusto 2007

Aproxima-se o S. Martinho e como é costume a nossa Casa não deixa de festejar esta data. Será mais um dia de convívio entre a família arcuense e não só.

Assim, dia 10 de Novembro, pelas 15h30, começa no recinto da Secção Desportiva em Marvila a festa do Magusto de S. Martinho. No dia 11 continua mas desta vez na Sede Social, Rua Augusto Rosa nº58 junto à Sé.

Como não poderia deixar de ser haverá castanhas e água-pé para todos os que se queiram juntar a nós nesta comemoração. Para animar a festa teremos tocadores de concertina, danças bem à moda dos Arcos e ainda cantares ao desafio.

Apareça e divirta-se connosco. Comemore o S. Martinho de maneira diferente.

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Homenagem a Pedro Homem de Mello

Mais uma participação do Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez num Festival de Folclore, desta vez em homenagem ao grande folclorista e poeta Pedro Homem de Mello.
Pena foi a pouca adesão dos grupos folclóricos a esta iniciativa levada a cabo no dia 30 de Setembro de 2007, pela Casa do Concelho de Ponte de Lima, junto às suas instalações em Campolide, mas os 13 ranchos presentes, um pouco de todo o País, que começaram a chegar bem cedo ao recinto da festa e logo se puseram a cantar e a dançar ao som das concertinas, dando desta forma mostras que seria uma tarde muito bem passada com brilho e vivacidade.
De entre os convidados realça-se a presença da neta e da nora, assim como do actor Vítor de Sousa que declamou poemas do homenageado.
Pedro Homem de Mello nasceu no Porto, mas foi por terras do Alto Minho que passou parte da sua vida, tendo a partir daí difundido o folclore português foi também o autor de alguns temas que são hoje autênticas referências do folclore nacional, quem não conhece o “Vira de Santa Marta”!?. Daí se lamentar que, se não fossem os Ranchos das Casas Concelhias do Minho em Lisboa, esta homenagem não teria qualquer representante minhoto. Pedro Homem de Mello, celebrizou-se também como poeta, de entre inúmeros poemas ouve muitos interpretados por fadista, como é o caso de “Povo que lavas no rio” cantado pela saudosa rainha do fado Amália Rodrigues.
Foi bonito de ver os aplausos e a participação do público nesta festa, e muito concretamente quando o Nosso Rancho subiu ao palco, sendo que a dança dos nossos pequeninos (“Vira Cruzado”) foi das mais aplaudidas e festejadas.
É com gosto que se vê, cada vez mais o interesse das pessoas pelo Folclore, e muito concretamente ver os mais jovens desenvolver as vivências criadas pelos nossos antepassados. Dado que o Folclore deve ser entendido cada vez mais como uma actividade física, lúdica e salutar.
Esta homenagem teria outra dimensão, e citando as palavras do Presidente da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez Sr. Joaquim de Brito, se a RTP não se alheasse a tão nobre iniciativa, visto que foi na estação pública que Pedro Homem de Mello teve o seu programa de divulgação do folclore português.
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Friday, October 5, 2007

Actuação do Rancho Folclórico na Brandoa (Amadora)

Uma tarde de folclore foi o que podemos assistir no dia 23 de Setembro de 2007, na Brandoa - Jardim Luís de Camões.

Uma festa organizada pelo Rancho Folclorico Dançar é Viver, com a participação dos seguintes ranchos:

Rancho Folclorico da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez
Rancho Folclorico da Casa do Concelho de Ponte de Lima
Rancho Folclorico da Casa do Minho
Rancho Folclorico Dançar é Viver


 

Apesar das condições não terem sido as melhores, falo em relação ao palco, porque como sabemos não estava no melhor estado para que se pudessem assistir a actuações de ainda maior qualidade!
O atraso que o Festival sofreu também foi lamentado por várias pessoas, que ainda antes de começarem as actuações já tinham abandonado o recindo do Parque Luís de Camões.

Mas no fim, todos os Ranchos fizeram a sua apresentação, correu da melhor maneira possível a cada um.

Falando do nosso Rancho, e como se pode constatar sempre, fazemos belissímas actuações, cheias de garra, vivacidade e alegria. Conseguimos ainda atrair a atenção das diversas pessoas que ansiosamente esperavam pelo inicio do Festival! Fomos bastantes aplaudidos, mostrando assim a amizade que sentem por nós.
Apesar de a nossa apresentação não ter acabado com todos os elementos em palco, visto que infelizmente um dançador nosso sentiu-se mal acabando por ir parar ao hospital, mostamos até ao fim o melhor que sabemos fazer e o orgulho no nome da Casa que representamos!

Felizmente, o que aconteceu ao nosso colega foi só um susto! E já está recuperado.

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folclore e FOLCLORE

Sendo hoje em dia um assunto tão discutido, e após ter lido um artigo no jornal Noticias dos Arcos de 23 de Agosto de 2007, achei que seria muito interessante se todos pudessem ler o mesmo que eu li. Este artigo foi dividido em duas partes, pois é feito com bastante reflexão por A. Luís Fernandes.

Sendo esta forma de cultura popular a que mais me tem apaixonado no decorrer dos tempos, muito embora por motivos profissionais não lhe tenha dedicado todo o tempo que devia e que esta merece. Gostava, de poder sensibilizar todos os folcloristas deste concelho, para uma discussão profunda, sobre a forma como estamos a representar os usos e costumes do nosso povo, no seio dos ranchos folclóricos.

Talvez começando por falar as coisas que me agradam, porque não seria bem interpretado, por parte de muita gente, começar a falar-vos, logo nas primeiras linhas, daquilo que eu penso estar deturpado, na forma como é representada a nossa cultura tradicional, de uma forma geral e em particular o folclore representativo de Arcos de Valdevez.

A primeira é que estou muito feliz, por ver um número bastante elevado de jovens que aderiram massivamente a esta forma de cultura, bem como a outras, de igual importância para o nosso concelho… tais como às bandas filarmónicas, aos grupos de teatro e todos as associações de caris cultural existentes em Arcos de Valdevez. Isso agrada-me particularmente, pois, serão estes jovens que hoje aprendem, que amanhã estarão disponíveis para ensinar as novas gerações, a quem transmitirão, tudo o que aprenderam sobre etnografia, folclore e todas as outras formas de cultura; em suma deixarão as suas vivências na recolha dos usos e costumes do nosso povo. E agrada-me sinceramente, por ter a certeza de que a cultura tradicional não será esquecida nos tempos futuros.

Mas esta a minha alegria quanto à quantidade não poder ser, nem é a mesma relativamente à qualidade representativa do nosso folclore, aquele que tentamos levar por todo este País à beira mar plantado e mesmo ao estrangeiro por parte da maioria dos nossos ranchos folclóricos.

No folclore Arcuense existem 14 agrupações folclóricas, o que para mim significa que ao nível de quantidade estamos muito bem classificados. Poucos concelhos em todo o país, se poderão congratular com tal sucesso, basta fazer as contas por alto para perceber que cerca de mais ou menos 1000 arcuenses frequentam os nossos ranchos folclóricos; quer isto dizer que temos quase 5% da nossa população nesta forma de representar as nossas raízes e costumes.

Da minha parte gostava que a esta quantidade existente, se lhe agregasse a qualidade necessária para que a representatividade fosse genuína. Mas verifico que há um trabalho de pesquisa e recolha profundo a fazer para que isso aconteça, começando pela preparação de muitos dos dirigentes e técnicos do nosso folclore, no que diz respeito aos conhecimentos dos verdadeiros usos e costumes dos nossos antepassados de quem dizemos ser dignos representantes.

Segundo a pequena análise que fiz, essa representação parece-me estar muito adulterada e que me perdoem a minha ousadia, pois se digo que há coisas que estão mal, também sei que muitos desses defeitos já vem de traz, que foram autorizados por alguns dos presidentes e ensaiadores que pelos ranchos mais antigos passaram em tempos.

Hoje em dia existe maior consciência por parte dos dirigentes do nosso folclore, que há muito que fazer, sendo por esse motivo que aqui estou a tentar que mais gente se junta a esta ideia de fazer um estudo profundo dos nossos usos e costumes para dignificar as nossas apresentações por esse mundo fora. Penso não ser muito difícil desde que exista a humildade inteligente para essa mudança tão necessária para o folclore do concelho de Arcos de Valdevez, como o pão para a boca do ser humano.

Vou agora falar de alguns pormenores, dando exemplos dos mesmos que quanto a mim estão deturpados, na representação do nosso folclore.
Os trajes usados pelos figurantes de muitos dos nossos ranchos estão longe da representação autêntica, apresentam-se com trajes ricos ou mesmo muito ricos a que chamam domingueiros, de festa, de romaria e até mesmo os de trabalho, com enormes discrepâncias em relação ao que deve ser a autenticidade genuína desses trajes antigos do nosso concelho.

Se não vejamos; os trajes mais representativos do nosso concelho segundo a minha forma de pensar são com certeza o traje de trabalho ou seja aquele que o nosso povo usava mais nas mais várias formas do trabalho agrícola daquela época e com ele dançavam na eira depois dos trabalhos terminados. Esses trajes quase desapareceram por completo da forma de trajar dos dançadores nos ranchos folclóricos; - talvez devido a um desconhecimento, distracção dos directores técnicos ou ainda por falta de carácter para convencer sobre tudo os elementos femininos a vestir o dito traje de trabalho, pois também me chegou aos ouvidos por diversas vezes “ai eu não visto isso” ou “se me derem esse traje eu saio do rancho”, sendo por tal motivo muito difícil aos responsáveis dos ranchos tentar manter a verdadeira tradição dos usos e costumes dos nossos antepassados.

Tenho por isso, receio que os futuros directores de ranchos arcuenses digam que a verdadeira tradição das gentes do seu concelho, será aquela que estarão a apresentar daqui a alguns anos, só porque fizeram confiança aos representantes dos dias de hoje.

A maioria do nosso povo há 130/140 anos atrás era bastante pobre, sendo por isso ilógico o uso de trajes muito ricos, com todo esse ouro que para o tornar ainda mais abundante, o penduram ao peito com alfinetes, dando-lhe ainda mais voltas, para parecer maior quantidade.

Outro pormenor que creio estar errado, é o padrão de igualdade, que se que impor a todos os trajes, incluindo o domingueiro ou de festa. Como antigamente eram as próprias que os envergavam que os faziam, estes teriam obrigatoriamente características únicas em casa desses belíssimos trajes.

Quanto a mim existem muitas deturpações nos nossos trajes e acessórios, tais como a colocação de elásticos nas chinelas, utilização de chinelas com traje de trabalho em vez de socos, as saias demasiados curtas, mulheres sem lenço na cabeça, homens com relógio e pulseiras no pulso, faixa descaída bastante por baixo do joelho, chapéus com elástico no pescoço etc., etc., ….etc.

Esta segunda parte saíu no jornal Notícias dos Arcos, do dia 6 de Setembro de 2007.

Este artigo, ajuda-mos a reflectir sobre o folclore que deveriamos representar!
Vamos apreciá-lo, e pensar sobre ele.

Se queremos representar o nosso folclore com dignidade, deveríamos começar por ser mais humildes quanto ao pensar que sabemos tudo e que tudo aquilo que sabemos é o verdadeiro, mas pode não ser, e esse erro vamos transmiti-lo às futuras gerações.

Eu tenho andado por esse pais fora para ver como se apresentam os diferentes grupos folclóricos de outras regiões, para quem muitas vezes nós temos alguns argumentos desprestigiantes para com a sua forma de estar no folclore, e que para mim, pela sua simplicidade e autenticidade se tornam mais autênticos.

É verdade que os ranchos folclóricos do concelho, dizem ser muitos aplaudidos por todos o país, o que eu próprio tenho constatado, mas esses aplausos, creio terem mais a ver com a velocidade as nossas danças, comparadas com a maneira calma de dançar muitas vezes pela ignorância sobre autenticidade do nosso folclore.

Dos muitos pormenores ao nível dos trajes, haveria muito mais a dizer mas ficarei por algusn dos mais visíveis e que mais me sensiblizaram pela realidade intransigente do seu uso. Por exemplo a forma de colocar o ouro de imitação no peito das raparigas dobrado em várias partes e colocados com alfinetes para que o traje pareça muito rico, mas tudo isso é completamente errado pois os nossos antepassados em primeiro lugar não quereriam parecer aquilo que não eram, depois não é a imitação de muita riqueza que torna o traje mais autentico e mais ainda todas as discrições em literatura que eu consultei, afirmam que a mulher minhota trazia ao pescoço a cair pelo peito todos o ouro que possuía em dias de festa.
Outro pormenor sobre o ouro tem a ver com os trajes de trabalho onde não deve ser colocado nenhuma peça de ouro ou então um simples cordão com um crucifixo da mulher minhota. Eu pessoalmente não creio que na lida dos trabalhos agrícolas a mulher tivesse a tentação de colocar muito ouro no pescoço mesmo que o tivesse.

Quanto ao traje do homem tembém existem alguns pormenores que me merecem algum reparo muito embora pouco literatura exista sobre o traje masculino, creio que devemos analisar com mais cuidado a forma de trajar do homem nos dias de hoje. Por exemplo a faixa que eu penso ter sido um acessório de protecção do homem contra a possibilidade de ganhar uma hérnia, com os esforçoes que fazia nos duros trabalhos do campo. Eu não vejo a necessidade de colocar estar por baixo do joelho, pelo contrário deve ser colocada por cima do mesmo ou sem ficar a cair pela perna abaixo.

Por outro lado quanto ao calçado masculino se o branco significava pureza e a mulher usa esta cor para mostrar essa mesma pureza, isto só poderá querer dizer que se a mulher era pura nessas épocas até uma idade bastante avançada da sua juventude, muito dificilmente o homem não o seria também, por isso eu penso que o homem deve usar meias brancas ou pretas de algodão, e não meias com todos o tipo de desenhos e estampados, assim como sapatos ou botas de corte não muito moderno que descaracteriza completamente o traje de domingueiro de época que queremos representar.

Em suma, gostaria de ver por parte dos dirigentes uma certa exigência para com os elementos do seu rancho na forma de trajar e principalmente no que diz respeito ao traje masculino dos seguinte pormenores:
- Nada de relógios no pulso nem pulseiras de ouro só um anel pode ser usado.
- Chapéu deve ser um modelo desta região.
- Meias brancas ou pretas de algodão com o traje de domingueiro.
- Sapatos ou botas pretas de corte pouco moderno.
- Faixa preta ou vermelha mas sempre acima do joelho ou somente em volta da cinta.
- Camisa de linho.

Sendo o “traje” o vestuário popular ou a forma de vestir de um povo numa determinada época e sendo essa mesma que queremos representar devemos respeitar o melhor possível e não tentar modificar sem o conhecimento necessário para tal alteração mesmo que nos pareça que ficaria melhor no nosso rancho e que causaria mesmo sucesso tal inovação. Mas quem somos nós para alterar as coisas que queremos preservar o mais genuinamente possível.

Os nossos trajes actuais começaram a nascer em meados do século XIX, tendo a sua transformação terminado nos fins do mesmo século e princípio do século XX ou seja os trajes que representamos hoje vem dos anos 1870 a 1910/1920.

Agora para terminar esta primeira abordagem sobre folclore, gostaria de dizer a todos os folcloristas deste concelho que estarei receptivo para analisar todas as ideias, para uma discussão profunda sobre etnografia e folclore e mesmo para a possibilidade de concretizar a formação de uma associação do folclore Arcuense, no seio da qual seria essa discussão teria todo o sentido.

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Wednesday, September 5, 2007

S. Bento de Ermelo

Todos os anos, na véspera do feriado municipal, na vila dos Arcos de Valdevez, já o sol se tem posto faz algum tempo depois do jantar, formam-se grupos alegres de diversas redondezas, principalmente de rapazes e raparigas, o que não significa que não se agrupem também uns quantos mais idosos, que de maneira alguma querem deixar de participar na antiga tradição…

Toda esta gente se dirige á freguesia de Ermelo , em peregrinação.

Alguns, para o percurso, empunham bengalas, outros, bordões de caminheiros.

Há ainda quem não abdique do seu “farnelzinho” onde o vinho é sem duvida indispensável para ajudar a vencer as dificuldades do percurso.

Existe lá uma igreja romântica, restos de um mosteiro grandioso que se erege entre moradias que devem remontar ao principio da Nacionalidade, ou talvez a tempos mais idos, um monumento vetusto, com mostras de pedreiras trabalhadas, obras posteriores que os frades não puderam acabar. Impõe-se também uma imagem de S. Bento, o celebrado S. Bento do Ermelo a que todos os Arcoenses são particularmente devotos. Trata-se de uma graciosa imagem de madeira, policromada e dourada, de cariz popular, que deve Ter uns duzentos anos, apresenta-se como uma das mais relevantes imagens beneditinas do Alto Minho.

Para conferir vivacidade á longa caminhada, os “caminheiros” vão cantando:

São Bentinho do Ermêlo;
Eu, p’ro ano hei-de vir,
Ou casado ou solteiro,
Ou criado de servir:

São Bentinho do Ermêlo,
Quem me dera lá chegar…
No meio do seu terreiro,
Cinco voltas hei-de dar…

São Bentinho do Ermêlo,
Aceitai-me a romaria,.
Eu venho de muito longe,
Não se vai lá cada dia…

S. Bento é padroeiro das terras vezelianas. Toda a historia destas terras está ligada à Ordem Beneditina.

Os frades negros nidificaram ali. Fundaram mosteiros, foram senhores de verdadeiros latifúndios, praças, arrotearam, eles mesmo, grandes extensões de terreno. Radicaram e mantiveram o culto do padroeiro. E o povo instituiu o seu santo curandeiro para todos os « males ruins », mas com especialidades curativas para essas incómodas excrescências na pele das mãos denominadas “cravos”.

Consta que os “cravos” nascem nas mãos de quem aponta e conta as estrelas ou os pontos luminosos que surgem de noite. O senhor S. Bento (os santos ,aqui, têm todos respeitosamente senhoria…) é protector contra essas malezas. Não só nos livra delas quando nos apoquentam como até, por sua intercessão, serve para nos livrar de tais tentações quando menos cuidadosos. Em paga da tutela o santinho paga-se em ovos (é tradicional assim dizer, confirmado por séculos de experiência…), e por essas lindas flores tão queridas o nosso povo, chamadas cravos.

Oferendam-lhe por isso, ovos ou cravos só que as mulheres lhe reservam exclusivamente os cravos de cor vermelho e os homens os de cor branca, pela simples razão de não existirem cravos azuis. É do rito. Exactamente como as “promessas” de cera: as promessas femininas distinguem-se porque são marcadas com uma pintinha de vermelho; a dos homens com uma pinceladinha de azul celeste bem destacada.

Quanto aos ovos, as contas são também rituais: nunca menos de três, mas podem ser múltiplos de três: seis, nove ou uma dúzia conforme a promessa ou a generosidade do “milagre” recebido.

A caminhada é dura e é de preceito faze-la pelos velhos caminhos, tal como a fizeram já os pais, avós e os que geraram a esses… .

Não vale utilizar as estradas traçadas no século passado. Assim, partindo dos Arcos: os romeiros subiam a costeira chegavam ao Alto de Murelhões seguiam em direcção do lugar do castanheiro calçada do proja, Caltada, Nossa Senhora da Luz, Senhora dos Milagres, Gração, descia-se a volta do rio Lima, passava-se por debaixo de Vilarinho e chegava-se a Ermelo.

É preciso ser bom caminheiro. Há que chegar lá, fazer a romaria: dar as voltinhas prometidas (três, cinco, sete , nove, sempre em número ímpar),à volta da capela e da direita para a esquerda.

Mostrar e depor, em seguida, a oferenda no altar do santinho… mas, tudo isto, terá de ser executado antes do nascer do sol!

A particularidade desta imagem de S. Bento é que tem na cabeça, um pequenino chapéu de feltro, de cor preta, com a copa abaulada, tipo côco, que é de tirar e pôr! O devoto chega ao pé dela, e reza-lhe. Depõe-lhe no altar as oferendas. Depois, respeitosamente, tira-lhe o chapéu, persigna-se com ele, beija-o e torna a colocar-lho na cabeça.

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Friday, July 13, 2007

Festa de Verão 2007 - Festa da Amizade

Mais um Verão que chegou e com ele mais uma Festa organizada pela Nossa Casa Concelhia.

Aconteceu nos dias 7 e 8 de Julho.

Foi uma Grandiosa Festa. Foi o encontro de todos os Arcuenses espalhados pela capital, foi o reviver das festas e romarias da nossas aldeias!

Para todos, a Romaria não foi à Senhora da Peneda! Mas sim ao Parque do Vale do Fundão (Marvila).

 

Tudo começou no Sábado à noite com o espectáculo do Grupo Musical ONDA MÉDIA, deu para dançar, cantar e divertimo-nos imenso! A meio da noite e como não podia falta houve concertinas, onde se cantou, tocou e dançou.

 

 

No Domingo assistimos a uma grande tarde de folclore. E podemos também assistir também assistir à actuação do Nosso Grupo de Cavaquinhos.

Estiveram presentes o  Rancho Folclórico de S.João de Rio Frio - Arcos de Valdevez, o Rancho Folclórico Passarinhos da Ribeira - Vieira do Minho, Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Ponte de Lima, Grupo Danças e Cantares Ecos de Montemuro - Faifa - Castro D’Aire e por fim o Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez.

 

O Nosso Grupo de Cavaquinhos fez uma belissíma actuação… É sempre um orgulho ver a garra e o amor com que cantam todas as músicas, principalmente aquelas que tocam no coração de todos os Arcuenses, como é o caso de “Valdevez” ou “Minha Terra”.

Os novos temas estão a fazer sucesso, o que prevê que o próximo trabalho estará ainda e melhor que o primeiro!!!

 

 

E como sempre o Nosso Rancho Folclórico foi fenomenal… Entramos com garra, vontade e amor! Mostramos ao dançar o orgulho que sentimos em fazer parte desta Casa. Orgulhamo-nos e tentamos cada vez mais elevar o nome da Nossa Casa Concelhia!

Onde o Nosso Rancho dança, encanta… E mostra a força que o nome de Arcos de Valdevez tem na capital!!!

 

 

CHULA VELHA

alt : http://www.youtube.com/v/5MPpL83dWig

 

CANA VERDE DOS ARCOS

alt : http://www.youtube.com/v/gaM_hy3EjI8

 

SOMOS ARCUENSES E ORGULHAMO-NOS DISSO…

Estamos TODOS de Parabéns!

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Wednesday, July 4, 2007

Morangos com Açucar em Arcos de Valdevez

Como foi recentemente noticiado pelo jornal Notícias dos Arcos a TVI foi gravar alguns episódios, para a série juvenil Morangos com Açucar, à freguesia do Soajo.

Esperemos agora ver como vai aparecer retratada a paisagem dos Arcos de Valdevez, tendo em conta que a TVI é perita nessa área senão vejamos as imagens que nos são fornecidas da ilha de S.Miguel (Açores) através da telenovela “Ilha dos Amores”.

Mais como a notícia refere até penso que fiquemos a ganhar  , dado que o realizador Hugo Sousa é descendente de pai arcuense: “É verdade, o meu pai é da freguesia do Vale e isto é um regresso às origens, já não vinha aqui há dez anos e vi uma evolução fantástica com uma grande modernidade, sem contudo ter sido estragada a beleza do Município. Mas são de realçar as melhorias de acessibilidades e o centro está muito bonito” .

Neste sentido espero que Arcos de Valdevez seja ainda mais divulgado, tendo em conta o grande número de fãns que tem esta série televisiva… E que seja o adoçar a muitas mais pessoas para visitarem a nossa terra!

Posted by Rita Cerqueira in 17:26:00 | Permalink | Comments (2)